E tudo recomeçou, ou melhor, começou. Até porque pra recomeçar deveríamos ser as mesmas pessoas, mas dessa vez não éramos.
Ele tinha cabelo loiro e eu cabelo branco, logo, acho que somos duas pessoas novas, pelo menos entenderei assim, até porque é um novo ano, e tudo que não era para ser trazido, ficou para trás, e bom, acho importante só trazer as partes boas. E acabou que trouxe ele por completo, e ele me trouxe por completo, então talvez as partes ruins não fôssemos nós, é, eu tenho certeza que não eram. Nós éramos, nós somos, as partes boas, nós somos as partes boas uma para o outro.
Ele não seria minha âncora, muito menos meu tentáculo, eu seria minha própria âncora, e faria de tudo para não ser meu próprio tentáculo, que é o que espero ter deixado pra trás.
Acho que é isso, damos tantos papéis às pessoas que acabamos não percebemos que somos nós esses personagens, e que só procuramos formas mais fáceis de aceitar que eles estão na nossa vida, que eles estão dentro de nós.
É, já foi um primeiro dia de revelações interiores. Boas, pelo menos. Fáceis? Não, nunca são, porém necessárias.
Bom, era o primeiro dia, como eu disse. Era um novo ciclo, um novo tudo. Eu era uma nova pessoa e ele aparentemente também. É, a armadura ficou para trás também, acho que já tinha passado da hora que usá-la, até porque eu nem sei porque carregava ela, acho que era só pra eu parecer mais forte do que eu sou. Está na hora de aceitar que não sou uma pessoa que usa armaduras, e sim uma pessoa que anda por aí sem camisa, até porque facilita mostrar o meu piercing no mamilo. Foda-se as barreiras também, se for para tudo inundar, que inunde, que a gente se afogue em toda essa inundação, mas juntos.
É, vai ser um risco, e agora, digo, eu não sei o que estou fazendo e sim, tenho bastante medo de tudo, mas é aquilo né: ninguém solta a mão de ninguém, e pra mim, só de você não soltar minha mão, já é o suficiente, porque eu não soltarei a sua. Ou então pode me algemar, não quero me perder, e não quero te perder, nem nos perder.
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